Alexandra Leitão: Passos Coelho divide mas clarifica

Alexandra Leitão: Passos Coelho divide mas clarifica

Alexandra Leitão diz que Passos Coelho divide o PSD e polariza o país, mas o seu regresso traria clarificação face ao "pisca-pisca" de Montenegro. Sobre se beneficiaria o PS, a vereadora da Câmara Municipal de Lisboa e antiga ministra, tende a acreditar que sim.

Natália Carvalho - RTP Antena 1 /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

“Acho que Passos Coelho, se algum dia voltasse, é mesmo a pessoa que mais divide o Partido Social Democrata ao meio e que mais polariza a sociedade portuguesa contra ele. Tem uma clareza que Luís Montenegro não tem. Passos Coelho diz claramente: eu aliava-me ao Chega. Eu não sei se isso não seria muito divisivo dentro do Partido Social-Democrata. (…)  Mas há uma atitude de muito mais clareza do que este pisca-pisca de Luís Montenegro”.
Em entrevista ao podcast da RTP Antena1 Política com Assinatura, Alexandra Leitão recusa as críticas do presidente da Câmara de Lisboa - que acusa o PS de politizar e partidarizar o acidente do elevador da Glória. A vereadora socialista diz que só fez perguntas, lembra que foi até elogiada pela postura que teve e devolve as acusações a Moedas que veio a público revelar conversas que teve com as famílias das vítimas: "Quem na verdade o ano passado politizou, partidarizou e utilizou para proveito próprio o acidente da Glória - e eu sei que estou a fazer uma acusação séria, mas estou a fazê-la - foi Carlos Moedas [que] foi a um programa da tarde narrar a conversa dolorosa que teve com um familiar de uma vítima, vitimizando-se também ele por ter sofrido tanto a ter que fazer aquele telefonema. Então e nós é que partidarizamos?”
Lei do Arrendamento: “há muitos anos que se faz pouco pela Habitação”

Alexandra Leitão reconhece que em Portugal "há muitos anos que se faz pouco pela Habitação". A socialista defende que tudo deve ser feito para resolver o problema e não poupa críticas à nova Lei do Arrendamento: vai prejudicar ainda mais os inquilinos e lembra o caso em Espanha de Maricarmen - a idosa que foi despejada de casa com 87 anos -, para dizer que as alterações aprovadas pelo governo podem criar casos destes em Portugal.: "Eu gostaria muito que esta lei do arrendamento não fosse aprovada. Acho que vai ser mesmo uma desgraça. Na sequência da lei que ficou com o nome Cristas, que é de 2013, 2012 em Lisboa, por exemplo, houve imensas pessoas a perder a sua casa e pessoas idosas. Eu acho que esta é uma lei que, se for aprovada, criará muitas Maricarmens".
Questionada sobre se o PS foi demasiado brando com o ministro da Administração Interna, Alexandra Leitão defende que "não tem de haver constrangimentos" no PS sobre Luís Neves. A antiga ministra considera que ainda há matéria para esclarecer neste caso e defende que o ministro está hoje mais frágil, mas quanto à demissão, "vai depender do que venha a acontecer".
A oposição de José Luís Carneiro está bem e recomenda-se

Alexandra Leitão não quer fazer interpretações das sondagens que mostram José Luís Carneiro à frente de Montenegro nas sondagens, mas considera que a oposição feita pelo secretário-geral do PS está a ter boa resposta dos portugueses. Na opinião da antiga ministra, "no atual contexto" José Luís Carneiro é a escolha certa e deve ir a eleições: “As pessoas estão a responder bem à forma como está a ser feita a oposição e eu acho que isso é que é o importante, porque acho mesmo importante que o Partido Socialista se apresente como aquilo que é - uma alternativa”.
Não é o momento para entendimentos, no Parlamento, à esquerda do PS
Na sequência dos apelos do presidente da República para entendimentos e das críticas ao PSD por parte de Pedro Passos Coelho, questionada sobre se este é o momento para uma convergência com os partidos à esquerda do PS, Alexandra Leitão diz que pontualmente – num ou noutro dossier, talvez – nas Câmaras, sim, “faz sentido existirem convergências locais”, e em Lisboa podiam ter feito toda a diferença na governação municipal, garante, mas para outros entendimentos, no Parlamento, “não é o momento”.
Alexandra Leitão volta a dizer que não se exclui de ser uma possível candidata à liderança do PS, mas reforça que "não está a trabalhar para isso". Quanto a Pedro Nuno Santos, não conhece os planos do antigo secretário-geral, mas considera que "seria difícil" voltar a ser líder do partido (mesmo que não esteja "arredado para todo o sempre"). "Não sei o que é que o Pedro Nuno tenciona fazer. Acho difícil voltar. O que não quer dizer que uma pessoa com as capacidades e até a cultura política do Pedro Nuno Santos deve ser uma pessoa arredada para todo o sempre, mas naturalmente que acho difícil".
Entrevista no programa Política com Assinatura de Natália Carvalho.
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